quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Fanatismo

Às vezes escrevo sobre crentes que me dão vergonha. Por que não hoje escrever sobre os que me dão muito orgulho? Outro dia estava num restaurante almoçando quando passou um vestido num terno surrado e com a Bíblia na mão. Ele se aproximava de onde as pessoas estavam comendo e gritava: “Jesus te ama e quer salvar você!” Gritou várias vezes e saiu, causando olhares constrangidos e um tanto de perplexidade.


Mas confesso que dele não senti nenhuma gotinha de orgulho. Não sei bem o que senti. O que importa é que uma moça almoçava com dois colegas na mesa da frente, no local mais próximo de onde o homem gritou. Seus companheiros de refeição começaram a criticar a atitude do homem e falaram que ele era um fanático desmedido. E aí ela falou que também era uma crente fanática.
Perplexos seus colegas afirmaram que ela era uma pessoa bem equilibrada, que não ficava gritando por aí e tal. Ela disse que sempre fala de Deus para as pessoas e vive uma vida com grande dedicação a Deus, que busca servi-lo em todas as atitudes, que não mede sua fé, pois pratica tudo o que prega e acredita. E, a partir da gritaria daquele crente, ela passa a falar de Deus aos descrentes. Como gostei de ouvir aquelas palavras!


Muitas vezes nossa época louca nos deixa ludibriados, e acabamos com a idéia que Deus deve se conformar dentro dos espaços, da agenda e das condições que damos a ele. Os colegas de minha amiga crente falavam que eles acreditam que Deus é uma luz, uma boa lembrança, uma alma caridosa e sei lá, aquelas coisas que as pessoas gostam de dizer sobre ele. Como se Deus mudasse cada hora de forma, segundo a visão egoísta do umbigo de cada indivíduo dessa terra. Minha heroína do almoço manifesta quem Deus é. E ela se prostra diante dele na frente de todos, sem medo de ser estigmatizada. Essa é fanática mesmo, como eu sonho ser sempre.

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